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Escolha entre dívida e equity para captação de recursos

Captação

Dívida ou equity: como escolher a estrutura de captação em 2026

22 de abril de 2026

Escolha entre dívida e equity para captação de recursos

Custo, controle e velocidade são os três eixos para decidir entre debt e equity. Como o cenário brasileiro de juros e private equity em 2026 muda essa conta.

Toda decisão de captação de recursos passa por três eixos: quanto custa, quanto de controle o sócio abre mão e quanto tempo leva para o dinheiro entrar. Dívida e equity respondem de forma oposta a cada um deles — e a escolha certa depende do momento do negócio, não de uma preferência ideológica.

Dívida: preserva controle, mas exige caixa

Captar dívida — bancária, debêntures, CRAs, CRIs, notas comerciais — preserva integralmente a participação dos sócios. O credor não vota em decisões estratégicas, não senta no conselho e sai da operação quando o principal é pago.

O custo aparente é o juros contratado, mas o custo real inclui covenants: compromissos de manter índices financeiros mínimos (alavancagem, cobertura de juros, capital de giro). Descumprir covenants dispara vencimento antecipado, refinanciamento em condições piores ou renegociação sob pressão.

Dívida faz sentido quando a empresa gera caixa previsível, o investimento tem retorno acima do custo do capital e o crescimento é orgânico ou de baixo risco de execução.

Equity: dilui, mas alinha risco

Captar equity — via private equity, venture capital, family office, investidor estratégico — traz capital sem obrigação de pagamento periódico. O sócio novo assume risco junto e, em geral, agrega governança, rede de contatos e experiência de escala.

O custo é diluição: o sócio abre parte da participação e, em muitos casos, aceita cláusulas de governança (direitos de veto, board seats, drag along, tag along) que mudam a dinâmica de decisão. Em contrapartida, o capital de equity é o único que suporta rodadas de crescimento agressivo, aquisições e teses de consolidação.

Equity faz sentido quando o retorno esperado é muito superior ao custo da dívida, o risco de execução é alto ou a tese depende de crescimento inorgânico.

O contexto brasileiro em 2026

Dois movimentos definem a decisão em 2026:

  • Selic em patamar ainda elevado encarece a dívida em reais e torna a régua de retorno de novos investimentos mais alta;
  • dry powder recorde de private equity local e internacional busca ativos no Brasil, especialmente em saúde, tecnologia, energia renovável, infraestrutura e agro;
  • instrumentos híbridos ganham espaço: dívida conversível, mezzanine, ações preferenciais com preferência de liquidação — combinando proteção de credor e potencial de equity.

Como decidir

A pergunta certa não é 'dívida ou equity?' e sim 'qual estrutura de capital sustenta o próximo ciclo de crescimento sem colocar a empresa em risco?'. A resposta costuma ser uma combinação — e mudar ao longo do tempo. O papel do assessor de corporate finance é modelar cenários, mapear investidores adequados e conduzir a captação sem interromper a operação.

A pior estrutura de capital é a que impede o próximo movimento. A melhor é a que abre opções.
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